quarta-feira, agosto 16, 2006

História da Pesquisa Qualitativa

Pedro Santos

História da Pesquisa Qualitativa

A pesquisa qualitativa pode ser considerada uma tentativa de aproximação dos métodos de pesquisa às ciências sociais. É o método de pesquisa que foca o modo como indivíduos e grupos de indivíduos vêem e entendem o mundo ou uma parte específica dele, e como constroem significado e conhecimento. Surgiu pela crescente diversificação dos modos de vida, sejam eles ambientais, biológicos, culturais e sociais. Estudiosos do comportamento humano, dizem que as teorias gerais nas ciências sociais terão seu fim em pouco tempo, dando lugar a teorias voltadas para grupos e classes bem específicos, que possuam um grande número de características em comum. Ela tem como principal motivação fenômenos complexos da vida social e que não estão sujeitos à quantificação e análise estatística.

Métodos da Pesquisa Qualitativa

Com a crescente evolução do comportamento humano e sua especialização ao redor do mundo, os métodos dedutivos de pesquisa (ou seja, o método de elaborar uma teoria e testá-la) se mostraram ineficientes e propensos ao fracasso. Hipóteses indutivas, onde se tem um conhecimento prévio sobre o assunto estudado, em que se captam dados para somente depois analisá-los e elaborar as teorias, se mostraram mais apropriados para pesquisas envolvendo pessoas.

Em contraste à pesquisa quantitativa, na qual os estudos são planejados para excluir ao máximo a influencia e interferência dos pesquisadores, a pesquisa qualitativa se caracteriza pela imersão do pesquisador no contexto a ser pesquisado, onde o pesquisador é um interpretador desse pedaço da realidade. Basicamente, a pesquisa qualitativa se utiliza de métodos de coleta de dados através de narrativas e a análise de seus conteúdos e tende a fugir às medidas e modelos matemáticos dando ênfase às deduções lógicas, a fim de decifrar dados ao lidar com seres humanos. Na pesquisa qualitativa, o procedimento metodológico mais importante para a pesquisa qualitativa passa a ser a interpretação, bem como a avaliação e apresentação.

Nas duas primeiras décadas do século XX, a pesquisa qualitativa foi guiada por duas grandes áreas. A primeira delas era a psicologia, com o alemão Wilhelm Wundt, que se utilizava de métodos de descrição e de verstehen, como processo psicológico para estudar o entendimento da personalidade, das situações e da comunicação. A segunda foi a sociologia norte-americana, com métodos biográficos, estudos de caso e métodos descritivos, que perdurariam como métodos principais ate a década de 40.

Alguns métodos e abordagem de pesquisa e de coleta de dados são: pesquisa-ação; grounded theory; estudos de casos; e estudos etnográficos.

O Desencantamento com as Ciências e o Reconhecimento das Pesquisas Qualitativas

A pesquisa qualitativa ganhou força com o chamando desencantamento do mundo com os resultados das pesquisas quantitativas. Isso pelo pequeno grau de aplicabilidade dos resultados que este último tipo de pesquisa obteve nas duas primeiras décadas do século XX.

Porém, o rigorismo para com as pesquisas sociais entre as décadas de 40 e 60, fez com que a pesquisa qualitativa voltasse a perder espaço para a pesquisa quantitativa. Somente com a volta das críticas mais fortes em cima dos processos quantitativos nas décadas de 60 e 70 fez com que a pesquisa qualitativa voltasse a ter relevância na sociologia norte-americana.

A pesquisa qualitativa começa a ser reconhecida e ganhar crédito fora das ciências sociais e antropológicas ao longo da década de 70. Passava então a ser predominante ou pelo menos ter participação significante em áreas como incapacidade (física e mental), educação, informação, comunicação, gestão e administração, além das áreas que já a aplicavam há mais tempo. Novos métodos de pesquisa qualitativa foram então desenvolvidos.

No começo da década de 70, começaram com mais vigor as discussões na Alemanha sobre etnometodologias, com o propósito de se fazer mais justiça com os objetivos de pesquisas sociais.

Marx Weber, na década de 80, realizou a pesquisa da utilização e demonstrou que as descobertas científicas são pouco transferidas para as práticas políticas e institucionais, chegando à conclusão que elas são relidas, reinterpretadas e criticadas de forma diferente, chegando a novas conclusões que inviabilizam sua aplicação imediata. Isso também pela pouca flexibilidade e por não levar em conta as diferenças sociais e culturais além dos problemas particulares do dia-a-dia, que impediriam a adoção geral e indiscriminada destes resultados.

Outro acontecimento importante na Alemanha para o impulso à pesquisa qualitativa dado na década de 80 foi o desenvolvimento dos métodos de entrevista narrativa e da hermenêutica objetiva, sendo estes independentes dos avanços feitos nos Estados Unidos, um marco para a maturidade da pesquisa qualitativa na Alemanha.

Fases da Pesquisa Qualitativa

Os estudiosos Denzin e Lincoln enxergam a pesquisa qualitativa em 7 fases, com características distintas, sendo elas:

· Período Tradicional, caracterizado pela etnografia de culturas estrangeiras;

· Fase Modernista, caracterizada pela tentativa de formalismo na pesquisa qualitativa;

· Gêneros Obscuros, caracterizados pelos paradigmas contrastantes;

· A Crise da Representação, que discutindo os processos de exposição do conhecimento descoberto;

· O Quinto momento, caracterizado pela mescla de teorias e narrativas;

· A Situação Atual, caracterizada pela composição pós-experimento;

· Futuro da Pesquisa Qualitativa.

Bibliografia

http://en.wikipedia.org/wiki/Qualitative_research

http://www.qualitativeresearch.uga.edu/QualPage/

http://www.geocities.com/claudiaad/qualitativa.pdf

Flick, Uwe. Uma introdução à Pesquisa Qualitativa.